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(Janeiro de 1999, ERA Light)



A criatividade é um dom nato ou pode ser adquirida?

Poderíamos dizer que é um dom nato porque o homem, desde a pré-história, usou a criatividade para sobreviver, resolver seus problemas e facilitar sua vida.

A criatividade é muito exigida nas situações de crise e esse princípio é válido até hoje.

Então, por que se costuma rotular uma determinada pessoa de criativa e outra de menos ou mais criativa? Ou achar que existem apenas algumas atividades ditas criativas, tais como artes, arquitetura, publicidade etc.? Nada mais falso.

A criatividade é usada por qualquer pessoa, seja uma dona de casa inventando um novo bolo ou buscando uma maneira mais fácil de tirar manchas de uma camisa até um alto executivo buscando alternativas para enfrentar um concorrente. Ambos estão usando a criatividade.

Todas as pessoas têm seu potencial criativo. Porém o que caracteriza uma pessoa criativa é que ela resolve problemas, faz as coisas acontecerem, provoca questionamentos e apresenta alternativas com regularidade.

Criatividade é um exercício tal e qual um exercício físico. Walt Disney considerava o aparelho da imaginação como músculos mentais. Quanto mais se trabalha um músculo, mais ele se desenvolve. A atividade o reforça ao invés de desgastá-lo. Da mesma forma que músculos e órgãos, a inteligência atrofia-se por falta de uso.

A criatividade é muito exigida nas situações de crise.

Dê uma paradinha, agora, na leitura deste artigo e faça um exercício de criatividade: qual foi o último filme a que você assistiu? Crie cinco novos títulos adequados a esse filme.

Quanto mais cedo na vida começarmos esses exercícios, mais capacidade criativa teremos. A criatividade deve ser estimulada constantemente.

O problema inicial é que a educação despreza a criatividade. Quantas escolas possuem atividades destinadas a provocar e exercitar a criatividade de seus alunos?

A criatividade é relegada a um segundo plano.

Pior ainda do que não estimular a criatividade, é a sua castração que podemos ver em muitas escolas. Escolas até bem renomadas consideradas de primeira linha apenas porque seus alunos apresentam um grau de conhecimento acima da média. Mas isso é só porque os alunos são massacrados com volumes de informações que devem ser absorvidos, decorados, sem a chance de questionar o por quê das coisas. Sem saber que criatividade é questionar.

Então um curso pode melhorar a capacidade criadora de uma pessoa qualquer? Se sim, até onde?

Essa pergunta foi respondida pelos estudos científicos conduzidos pelos doutores Arnold Meadow e Sidney J. Parnes por um período de 14 meses, submetendo a exame 300 estudantes da Universidade de Buffalo, NY.

Formaram-se pares com estudantes que tinham feito o curso de criatividade e outros que não tinham. Os resultados significativos constam do seguinte: 94% de aumento na capacidade de pensar idéias aproveitáveis.

Dentro do mesmo período, os que fizeram o curso produziram mais de 94% de idéias aproveitáveis do que os que não fizeram. De acordo com essa experiência cientifica, os que fizeram o curso se revelaram, em média, 94% mais produtivos em idéias que os pesquisadores consideraram boas eram as que poderiam tornar-se úteis e eram relativamente originais.

Para ver suas idéias aprovadas,
O funcionário criativo deve, em primeiro lugar,
acreditar na sua idéia e já tê-la discutido e analisado profundamente

Em qualquer outro assunto, quase sempre se mede a eficiência mediante exames que indicam o volume de conhecimento absorvido e retido pelo estudante. A pesquisa Meadow-Parnes, por outro lado, mediu cientificamente o aperfeiçoamento da capacidade do estudante,. Os que tinham feito o curso se revelaram marcadamente superiores aos outros, tanto em confiança em si próprios como em iniciativas e em outras qualidades de liderança. Poucos cursos sujeitaram-se a prova tão rigorosa.

Agora, submeta-se você mesmo a uma provinha: registre todas as oportunidades que teve para fazer uso de sua imaginação criadora desde que acordou.

Mais criativos ou menos criativos, chega um momento em que os estudantes entram para o mercado de trabalho. Vão defrontar-se com empresas conservadoras, com chefes que gostam de dizer que "em time que ganha não se mexe" e com outros que dizem que "sempre fizemos assim e sempre deu certo". Em ambientes como esses, a criatividade embota. O funcionário sente-se intimidado ao apresentar idéias novas, propostas criativas, com medo de ser rechaçado ou ridicularizado.

Chefes como esses precisam saber que o fato de uma coisa estar sendo feita da mesma maneira há muito tempo não quer dizer que essa é a melhor maneira. Isso ainda acontece na maior parte das empresas.

São empresas que ainda não se deram conta de que precisam contar com cérebros. Cérebros que entendam as rápidas transformações pelas quais o mundo passa e que saibam como utilizá-las de uma maneira produtiva para a empresa.

 

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Antonio Carlos Teixeira
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