Artigo
O Dia D
(Junho de 1999, Crônica)



A virada de 1999 para o ano 2000 pode trazer algumas complicações. Por exemplo, imaginem essas situação: no dia 1º de janeiro de 2000, você está chegando em casa depois de uma belíssima festa de reveillon, pára o carro em frente à porta da garagem e o controle remoto não funciona. Você tem de descer do carro, acordar o porteiro e aguardar ele abrir a porta.

Cansadíssimo, você estaciona o carro e se prepara para subir ao seu apartamento, mas ao chegar na porta do elevador, você constata que ele não está funcionando. Solução? Subir pelas escadas. Imagine que você more no 15º Andar. Ufa! Direto pra cama.

No dia seguinte, você acorda e vai tomar banho, mas só encontra água fria. Que remédio, vai assim mesmo. Aí você tem aquela louca vontade de tomar um cafezinho, mas a cafeteira, que é elétrica, não funciona. Então, você resolve chamar o eletricista (afinal de contas, outros aparelhos poderão apresentar problemas e você quer se prevenir). O telefone não dá sinal. Você pensa em pedir socorro para o zelador, mas o interfone também não funciona. O que fazer? Vestir a roupa, descer os 15 andares pelas escadas e procurar o eletricista.

Ao chegar na garagem, você se dá conta que esqueceu a chave do carro no apartamento. Já dá para imaginar o vocabulário. Tudo bem. Sobe os 15 e desce os 15, mais uma vez. Você entra no carro, um modelo novo, computadorizado. Dá a partida e nada. Tenta mais uma vez e nada. Seu carro, supermoderno, tem um monte de chips e tecnologia super avançada, e não funciona. Nesse momento, você se lembra que o porteiro do seu prédio tem uma Brasília amarela com roda gaúcha, sem nenhuma tecnologia. Esse é o carro que você estava precisando. Você pede a Brasília emprestada. "Tudo bem", diz o porteiro. "Só que a gasolina esta na reserva". Alerta.

Esse problema é o menor deles, você pensa. Pega a Brasília amarela e pára no posto de gasolina da esquina. Uma fila colossal espera o frentista, que está suando em bicas, virar uma manivela para tirar gasolina, pois como vocês já devem estar imaginando a bomba não funciona. Além de tudo, você nota que está sem dinheiro. Decide passar num caixa eletrônico e depois ir a um posto. O caixa eletrônico, todo computadorizado, engole o sei cartão e não solta o dinheiro de que você precisa.

Acho que dá para imaginar como será o resto desse dia.

 

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Antonio Carlos Teixeira
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