Artigo
A força feminina
(Março de 2004, VOCE S/A)

A força feminina

Elas assumiram posições de comando nas grandes empresas, imprimiram seu jeito de administrar e mandar. E agora uma pesquisa mostra que os lucros são maiores nas empresas onde as mulheres estão na chefia.

Por Antonio Carlos Teixeira (*)

Recentemente, vi um estudo realizado nos Estados Unidos que apontava que as empresas que apresentaram maiores índices de crescimento tinham mulheres entres seus executivos de ponta. Pela primeira vez uma pesquisa mostra que a diversidade de gêneros e o retorno financeiro estão intimamente relacionados. O estudo foi publicado pela revista Fortune (edição de 9 de fevereiro) e aponta que nas empresas em que há representação feminina entre os executivos, o faturamento é 35% maior do que nas empresas onde elas não ocupam cargos de direção. Isso nos leva a considerar uma nova situação: E se.... tivéssemos mais mulheres executivas?

A mulher já demonstrou que tem capacidade de trabalho em equipe, é muito mais persuasiva do que autoritária e muito mais cooperadora do que os homens. A tendência para interagir começa cedo na mulher. Quando a mãe pergunta "Como foi de escola hoje?", a menina conta todos os detalhes do que aconteceu. O menino responde: "Legal!". Mulheres são mais detalhistas. Sabem ouvir e pensar . Elas possuem habilidades excepcionais que poderiam mudar a cara do Congresso e melhorar o Brasil: talento para comunicar-se, capacidade para ler o que não é verbal; sensibilidade emocional; empatia; paciência; fazer e pensar diferentes coisas ao mesmo tempo; facilidade de relacionamento; habilidade para negociar; enxergar lá na frente. Além de tudo isso são cooperadoras, determinadas, intuitivas, motivadas e sempre buscam o consenso.

No início de minha carreira profissional aprendi a ver a mulher como empreendedora, batalhadora, determinada e muito capaz. Meu primeiro emprego foi na AVON e pude conviver e aprender muito com elas. Eu continuei testemunhando a garra e a determinação das mulheres quando precisam ou querem atingir a excelência. Durante seis anos fui diretor de marketing da Stanley Home Products, uma empresa americana que fabricava produtos de uso doméstico e de uso pessoal com distribuição porta a porta. Conheci uma grande quantidade de mulheres que entraram para o mercado de trabalho com muita disposição para vencer e conseguiram. Muitas, por questões de família estavam fora do mercado de trabalho há anos, mas superaram esta dificuldade.

Elas falam e ouvem a linguagem da conexão e da intimidade. Os homens falam e ouvem a linguagem do status e da independência. Os homens se comunicam para obter informações, estabelecer seu status e mostrar independência. As mulheres comunicam-se para criar relacionamentos, estimular a interação, trocar experiências e sentimentos. Estatísticas mostram que, mais cuidadosas, as mulheres sofrem menos acidentes. As mulheres se envolvem 28% menos em acidentes que os homens. As moças brasileiras estudam mais, sentem-se desafiadas a comprovar sua competência e por isso acabam vencendo a corrida contra. O rendimento das trabalhadoras brasileiras cresceu quase o dobro da média nacional entre 93 em 99 e 25% dos lares brasileiros são mantidos por mulheres.


"As empresas que as mulheres administram têm uma produtividade maior do que as dirigidas por homens, porque elas não mandam pela força, de cima para baixo, colocando subordinados uns contra os outros, mas o fazem ouvindo os empregados, conseguindo consenso em vez de o impor e, assim, esses subordinados acabam 'vestindo a camisa' da empresa, ao invés de sabotá-la quando podem. Em lugar de formar grupos que lutam entre si, trabalham construindo redes em que o poder vai se descentralizando e sendo considerado mais um serviço que um privilégio", escreveu RoseMarie Muraro.


O IBGE demonstra que as mulheres superaram os homens em escolaridade. Ocupam postos de destaque no Executivo, no Judiciário, nos Ministérios, em organizações de pesquisa de tecnologia de ponta. Dirigem ônibus e pilotam jatos. As ações de voluntariado surgiram por iniciativas femininas tentando ajudar os menos favorecidos. Hoje são ações de grande envergadura que não param de crescer. Como cidadão, eu quero mais mulheres nas empresas, no Congresso e no Senado. Será melhor para o Brasil!

*Antonio Carlos Teixeira é conferencista e consultor em Criatividade e Inovação. Autor de Inovação - Como criar idéias que geram resultados (160 p, Qualitymark).

 

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