A
força feminina
Elas
assumiram posições de comando nas grandes empresas,
imprimiram seu jeito de administrar e mandar. E agora uma
pesquisa mostra que os lucros são maiores nas empresas
onde as mulheres estão na chefia.
Por
Antonio Carlos Teixeira (*)
Recentemente,
vi um estudo realizado nos Estados Unidos que apontava que
as empresas que apresentaram maiores índices de crescimento
tinham mulheres entres seus executivos de ponta. Pela primeira
vez uma pesquisa mostra que a diversidade de gêneros
e o retorno financeiro estão intimamente relacionados.
O estudo foi publicado pela revista Fortune (edição
de 9 de fevereiro) e aponta que nas empresas em que há
representação feminina entre os executivos,
o faturamento é 35% maior do que nas empresas onde
elas não ocupam cargos de direção. Isso
nos leva a considerar uma nova situação: E se....
tivéssemos mais mulheres executivas?
A mulher
já demonstrou que tem capacidade de trabalho em equipe,
é muito mais persuasiva do que autoritária e
muito mais cooperadora do que os homens. A tendência
para interagir começa cedo na mulher. Quando a mãe
pergunta "Como foi de escola hoje?", a menina conta
todos os detalhes do que aconteceu. O menino responde: "Legal!".
Mulheres são mais detalhistas. Sabem ouvir e pensar
. Elas possuem habilidades excepcionais que poderiam mudar
a cara do Congresso e melhorar o Brasil: talento para comunicar-se,
capacidade para ler o que não é verbal; sensibilidade
emocional; empatia; paciência; fazer e pensar diferentes
coisas ao mesmo tempo; facilidade de relacionamento; habilidade
para negociar; enxergar lá na frente. Além de
tudo isso são cooperadoras, determinadas, intuitivas,
motivadas e sempre buscam o consenso.
No início
de minha carreira profissional aprendi a ver a mulher como
empreendedora, batalhadora, determinada e muito capaz. Meu
primeiro emprego foi na AVON e pude conviver e aprender muito
com elas. Eu continuei testemunhando a garra e a determinação
das mulheres quando precisam ou querem atingir a excelência.
Durante seis anos fui diretor de marketing da Stanley Home
Products, uma empresa americana que fabricava produtos de
uso doméstico e de uso pessoal com distribuição
porta a porta. Conheci uma grande quantidade de mulheres que
entraram para o mercado de trabalho com muita disposição
para vencer e conseguiram. Muitas, por questões de
família estavam fora do mercado de trabalho há
anos, mas superaram esta dificuldade.
Elas falam
e ouvem a linguagem da conexão e da intimidade. Os
homens falam e ouvem a linguagem do status e da independência.
Os homens se comunicam para obter informações,
estabelecer seu status e mostrar independência. As mulheres
comunicam-se para criar relacionamentos, estimular a interação,
trocar experiências e sentimentos. Estatísticas
mostram que, mais cuidadosas, as mulheres sofrem menos acidentes.
As mulheres se envolvem 28% menos em acidentes que os homens.
As moças brasileiras estudam mais, sentem-se desafiadas
a comprovar sua competência e por isso acabam vencendo
a corrida contra. O rendimento das trabalhadoras brasileiras
cresceu quase o dobro da média nacional entre 93 em
99 e 25% dos lares brasileiros são mantidos por mulheres.
"As empresas que as mulheres administram têm uma
produtividade maior do que as dirigidas por homens, porque
elas não mandam pela força, de cima para baixo,
colocando subordinados uns contra os outros, mas o fazem ouvindo
os empregados, conseguindo consenso em vez de o impor e, assim,
esses subordinados acabam 'vestindo a camisa' da empresa,
ao invés de sabotá-la quando podem. Em lugar
de formar grupos que lutam entre si, trabalham construindo
redes em que o poder vai se descentralizando e sendo considerado
mais um serviço que um privilégio", escreveu
RoseMarie Muraro.
O IBGE demonstra que as mulheres superaram os homens em escolaridade.
Ocupam postos de destaque no Executivo, no Judiciário,
nos Ministérios, em organizações de pesquisa
de tecnologia de ponta. Dirigem ônibus e pilotam jatos.
As ações de voluntariado surgiram por iniciativas
femininas tentando ajudar os menos favorecidos. Hoje são
ações de grande envergadura que não param
de crescer. Como cidadão, eu quero mais mulheres nas
empresas, no Congresso e no Senado. Será melhor para
o Brasil!
*Antonio
Carlos Teixeira é conferencista e consultor
em Criatividade e Inovação. Autor de Inovação
- Como criar idéias que geram resultados (160 p, Qualitymark). |