Artigo

(Fevereiro de 2002, Revista SEGURO Total)



A globalização, as distâncias reduzidas e as informações on line uniram todos os pontos do planeta em segundos. Novos sistemas, novas tecnologias, procedimentos para qualidade total e muitas outras ferramentas estão disponíveis a todos no mundo moderno. O resultado são as inovações ocorrem em alta velocidade produzindo um obsoletismo muito rápido em todos os setores. Os preços ficam cada vez menores.
O consumidor atingiu sua maturidade e quer receber mais pagando menos.

Por isso, as empresas e as pessoas têm que se atualizar constantemente para se manterem competitivas. A verdade é que o que funcionava há dois anos não vai funcionar na próxima semana. Com isso, existem duas alternativas:

  • Queixar-se porque as coisas já não são tão fáceis como antigamente
  • Usar sua capacidade criativa para inovar, descobrir novas respostas, novas soluções e idéias. Descobrir no sentido de olhar para o que todo mundo está vendo e vislumbrar algo original, diferente.

Uma pessoa não muito motivada pode se perguntar: "Por que mudar o que sempre funcionou? Inovar, para quê?"

Para não acabar como o jacaré que de tanto ficar parado acaba virando bolsa, cinto, carteira.

Em resumo, se você não acredita que poderá fazer o que está fazendo agora, melhor, mais barato ou mais rápido, cuidado. Muito cuidado! Alguém mais criativo acredita que pode. E quando ele descobrir a solução você vai descobrir que está em segundo ou pior lugar.

Isto gera o desafio: Como entrar na Era da Criatividade e Inovação apesar da resistência dos mais conservadores?

A primeira coisa é deixar bem claro àqueles que se opõe à inovação que sucessos passados não garantem o sucesso futuro. Aqui cabe um pequeno teste-desafio para forçar a reflexão.

De quantas empresas você se recorda que foram líderes e grandes no passado e desapareceram ou encolheram porque alguém inovou e atendeu melhor às necessidades do consumidor?

Tomemos, como exemplo, uma gigante do mercado de computação que, aproximadamente, detinha 30 % de participação em um mercado de US$ 300 milhões, nos Estados Unidos. Este mercado saltou para US$ 3 tri e a empresa viu sua participação minguar para menos de 10%. Este crescimento de mercado foi absorvido por concorrentes novos e muito menores. Por quê?

Porque as empresas novas estão abertas, estão lutando para nascer, sobreviver, maturar-se. Elas não possuem paradigmas, restrições ou referências passadas que limitam o seu potencial de futuro.

Esta é uma ameaça constante.

Por isso, o executivo de hoje precisa desenvolver sua imaginação, sua sensibilidade, seu intelecto e sua criatividade a fim de perceber as reais necessidades do consumidor e criar a satisfação destas necessidades.
Esse é um processo que transforma as coisas, transforma o mundo.É preciso ter visão de futuro.

Pensar diferente é questionar. É perguntar: "... e por que não deste outro modo?" O fato de uma coisa estar sendo feita sempre da mesma maneira não quer dizer que seja a melhor maneira.
Temos que avaliar constantemente se estamos inovando para, no mínimo, mantermos nossa competitividade. Uma das maneiras é questionarmos: "O que está travando? Por quê?" Com base nestas respostas é importante repetir as perguntas e aprofundar cada vez mais no assunto até chegar a uma conclusão. Estas respostas sinalizarão se sua empresa, ou se você mesmo, está competitivo ou não.

Além disso, inovação pode gerar redução de custos. Com esta verba extra é possível inovar na qualidade do produto ou no serviço ao cliente. Isto também é incremento de competitividade.

A criatividade e inovação fazem-se presentes em todas as áreas da empresa. Por exemplo: Pense na satisfação do consumidor. Verifique constantemente como está o nível de reclamações dos clientes. Imagine todas as objeções e problemas que seu cliente poderá apresentar. Pense nas soluções. Este é um excelente exercício para preparar-se, para ter novas idéias e resolver os problemas do cliente.
Pergunte:

  • "De que maneiras poderemos solucionar o problema X?"
  • "De que novas maneiras poderemos distribuir ou vender nossos produtos?"
  • "De que maneiras poderemos identificar novos clientes para nossos produtos?"
  • "De que outras maneiras poderemos comunicar as vantagens dos nossos
      produtos?"

Cada resposta a essas perguntas será uma nova idéia gerada.

Um dia, alguém teve a idéia de unir coisas totalmente diferentes e produzir um resultado importante para as pessoas. Por exemplo: o que uma roda e uma cadeira tem em comum? Individualmente, nada. Mas sob os olhos de uma pessoa criativa e inovadora, a roda foi combinada a uma cadeira e gerou um grande benefício para aqueles que não podem caminhar com suas próprias pernas.

Um outro exemplo: o Presidente da Wall-Mart uniu uma caixa registradora a um banco de dados e mudou a história do varejo no mundo.

Tente substituir, combinar, alterar, modificar, eliminar, reorganizar, componentes, formas ou características dos seus produtos ou serviços para gerar produtos ou serviços inovadores para seus clientes.

Transforme o pensamento criativo em vantagens, benefícios concretos que dêem vitalidade, rejuvenescimento, competitividade.
Crie, inove. Ou evapore.
Domenico de Masi, Professor de Sociologia do Trabalho da Universidade de Roma, disse em recente entrevista a " burocracia é o maior inimigo da competitividade". Burocracia para melhorar um produto, para fazer algo novo.

Para a empresa manter-se competitiva é necessário que a cúpula não seja constituída por burocratas. Estes preferem outros burocratas e as pessoas criativas são mantidas a distância.

O burocrata é um microchip muito caro que costuma bloquear novas idéias com frases como:

  • "Nunca ninguém fez isto antes"
  • "Isto não vai dar certo aqui"
  • "Já tentamos isso antes"
  • "Não temos pessoal para tocar este projeto"
  • "Isto é muito complicado"
  • "Nunca precisamos fazer isso"
  • "Ou ainda, sua idéia parece boa mas vamos deixar mais para a frente".

É a criatividade dos funcionários que desenvolverá novos produtos, melhorará os existentes, reduzirá custos, simplificará os sistemas, processos e identificará novas oportunidades de negócios.

Vamos aqui deixar bem claro que criatividade não se confunde com inovação. As boas idéias sozinhas não servem para nada. São apenas idéias. A ação deve sempre estar ao lado do pensamento criativo. A inovação sempre começa com uma idéia. Cada idéia é originada e desenvolvida por uma pessoa. O ponto fundamental é como criar e inovar.

Este é o desafio das pessoas e empresas que querem manter ou atingir uma posição de sucesso. Porém, para realizar bem esta tarefa de "adivinhação" é preciso ter uma equipe criativa, motivada, intuitiva e que acredita que sempre dá para fazer melhor, mais econômico, mais rápido, mais inteligente, mais prático.

A esta altura você deve estar pensando: "Como posso saber se minha equipe é criativa?" Ou se você mesmo é criativo.

Observe à sua volta. Tudo o que você está vendo começou com uma idéia, com a criatividade de uma pessoa. Todo ser humano é criativo. Acontece que uns têm maior facilidade para gerar idéias do que outros porque foram melhor treinados ou viveram em ambientes mais permissivos, menos bloqueadores.

O mundo moderno exige que possamos ver problemas e oportunidades sob novos ângulos de visão.
De que maneira você poderá corrigir a equação abaixo sem alterar os números romanos, a posição deles na equação ou os sinais? A resposta está no rodapé no final deste artigo.

XI + I = X

O fundamental é que todo ser humano pode ter sua Criatividade melhorada, desenvolvida, treinada.

As pessoas criativas conseguem multiplicar suas alternativas e chegar às grandes idéias. Aquelas que não estão acostumadas a pensar criativamente não sabem como fazer isso ou acham que é impossível. Ou, pior ainda, rotulam-se de não criativas.

Em realidade, o potencial criativo pode ser recuperado e desenvolvido através de técnicas de geração de idéias e treino. Aliás, Walt Disney já dizia: "Criatividade é como fazer ginástica. Quanto mais faz, mais forte fica."

Uma das habilidades mais valorizadas nas empresas modernas é a facilidade com que os profissionais geram quantidades de novas idéias. Isto não quer dizer que todas, ou a maioria delas, serão aproveitáveis. Mas quanto maior o número de idéias criadas e avaliadas, maiores as chances de chegarmos a uma grande idéia.

As empresas que já se conscientizaram de que a Inovação é o único meio para se manterem competitivas no mercado estimulam a criatividade de seus funcionários para obterem uma grande quantidade de idéias. Outras empresas utilizam também os seus clientes e fornecedores como fontes de idéias.

Entretanto, somente ter a disposição para inovar e estimular a geração de idéias não é suficiente.

As empresas que já instituíram seus "Departamentos de Criatividade e Inovação" observam um processo sistêmico e organizado, composto das seguintes fases:

O primeiro passo é treinar todos os funcionários a pensarem criativamente. Não importa o nível hierárquico. Qualquer ser humano pode ter uma grande idéia.

Organizar campanhas periódicas que estimulem os funcionários a darem idéias sobre problemas ou oportunidades específicas de interesse para a empresa. Ou deixar as idéias em aberto. Ou os dois.

O importante é não confundir este projeto com a conhecida "CAIXINHA DE SUGESTÕES" que, quando abertas, têm muito mais reclamações e reivindicações do que sugestões propriamente ditas.

Em seguida a isso, a empresa se verá diante de centenas ou milhares de idéias que precisam ser avaliadas. E como fazer isso?

Hoje já existem técnicas que avaliam cada idéia frente aos critérios, objetivos e interesses definidos pela empresa. Estas técnicas funcionam como filtros para irem separando as idéias em categorias pré-definidas pela empresa. Exemplos: novos produtos, melhorias em produtos, simplificação de processos, redução de custos, novos canais de distribuição e uma infinidade de outras categorias.

A esta altura, a empresa já estará com o seu Banco de Idéias montado. A partir daí é só mantê-lo vivo para sempre.

Com o processo de Criatividade e Inovação constante a empresa evita as perigosas, difíceis, periódicas e custosas reestruturações. Afinal, ela está se inovando a cada dia.

RESPOSTA: Para enxergar novas oportunidades e novas soluções para velhos problemas mude o seu ângulo de visão. Para deixar a equação correta basta virá-la de cabeça para baixo. (X = I + IX)

 

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Antonio Carlos Teixeira
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