Artigo
Só se Sobressai Quem é Diferente
(Janeiro-Fevereiro de 2000, RH em Síntese)



A minha experiência profissional como executivo de empresa líderes (Kolynos, J. Walter Thompson Propaganda, Bayer, Stanley Home, Avon) me dá segurança para alertar que se o profissional não desenvolver a criatividade, seu emprego está com os dias contados. Ou, na melhor das hipóteses, ele poderá agüentar ainda algum tempo, mas na pasta dos descartáveis.

A criatividade não é um modismo; é um fenômeno histórico. A era da agricultura durou milênios, até que chegou a era industrial. Nas últimas décadas iniciou-se a era da informática e agora, queiram ou não, entramos na era da criatividade e da inovação.

A informática não será substituída pela criatividade , será complementada. Sabe por quê? Porque tudo o que a informática disponibiliza - informações, estatísticas, avaliações, processos e muito mais - não tem utilidade se a criatividade não for utilizada para interpretar, ler nas entrelinhas aquilo que a informática produz. Então, a partir daí, solucionar problemas, identificar oportunidades, é uma questão de fazer uso dessa habilidade exclusiva do ser humano, cada vez mais valorizada.

Existe um paradigma de que apenas algumas áreas são movidas a criatividade: marketing, propaganda, promoções, desenvolvimento de novos produtos. As demais, principalmente as burocráticas e administrativas, nada teriam em comum com a criatividade. Puro preconceito. O burocrata, como todo e qualquer ser humano, é criativo. Só que ele não está acostumado a usar a criatividade. Ele faz trabalhos mecânicos e iguais. Mas a natureza de seu trabalho não o impede de ter idéias, de pensar diferente para simplificar métodos e procedimentos, melhorando sistemas, agilizando fluxos, além de reduzir burocracia, papelada e custos.

Para ilustrar a mudança nas relações de trabalho, existe um ótimo exemplo de um propagandista de laboratório farmacêutico. Ele recebeu excelente treinamento sobre os medicamentos, técnicas de abordagem ao médico, exposição do medicamento, assim como milhares de outros profissionais dessa área. A grande diferença entre esse profissional e seus colegas é que ele foi criativo e resolveu apostar nos horários enxutos dos médicos, levando uma cesta de frutas durante suas visitas. O resultado foi extremamente positivo; os médicos adoraram a idéia, já que enquanto faziam um "lanchinho" assistiam à apresentação dos produtos farmacêuticos. O propagandista sozinho, com muito mais tempo, desenvolveu uma relação ainda mais cordial com os médicos.

Ele soube usar sua criatividade, foi observador e identificou a oportunidade. Pensou diferente e solucionou um problema. Diferenciou-se e melhorou o resultado de seu trabalho. Por isso, habitue-se a perguntar: de que maneira eu posso fazer isto melhor, mais rápido, mais prático, mais eficiente? De que maneira posso melhorar meu desempenho profissional? Através do comportamento criativo. Éisso que as empresas estão esperando de todos os seus funcionários. Desde o mais humilde até o presidente. Exemplos concretos já existem em grandes corporações como 3M, The Innovation Company, Procter & Gamble, que possuem Departamentos de Criatividade. Além disso, muitas outras corporações lançaram projetos de Criatividade & Inovação, a serem aplicados em todas as suas subsidiárias, para todos os funcionários. No Brasil, esses programas estão proliferando rapidamente. Pense diferente para sobreviver e ter sucesso nesta nova era. Walt Disney disse: "Criatividade é como ginástica, quanto mais você faz mais forte fica".


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Antonio Carlos Teixeira
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